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16 de fevereiro de 2021

E se...

 E se descobrisse aos seus 35 anos que seu caminho espiritual não é o mesmo que o de sua família?

E se um dia você acordasse e se desse conta de que seu interior estava gritando esses anos todos, a cada sinal dado, a cada pessoa que entrou "sem querer" no seu caminho te dando nuances do que estava buscando?

Bem vindo a mais um despertar de uma mulher que está trilhando seu caminho, e o caminho que escolhi foi a umbanda.

As pessoas que falam sobre o despertar espiritual, pensam que é algo como andar entre um jardim de flores onde tudo é gratiluz. Ledo engano.

Dá para entender que quem resolve se encontrar de verdade em frente ao espelho, precisa estar não preparado, porque para isso ninguém está. Mas estar consciente da escolha que está fazendo: parar de viver na ilusão e encarar a vida e o outro lado tal qual como são, sem firulas.

Despertar espiritualmente, pelo menos para esse ser humano que vos escreve, tem sido, dolorido a maior parte do tempo e aliviante em momentos específicos.

Quando estou na frente de um congá, sinto o chão morno nos meus pés(há quem diga que o chão está frio, mas não é essa a sensação que tenho) e isso  é gratificante. Ouvir os guias falarem, com seus jeitos diretos e simples de ser, onde a simplicidade neste caso, é a ferramenta de mudança mais poderosa.

Há algo de cativante e sublime na umbanda. Há algo de agente transformador a cada gira.

Em termos "simples" pense nisso:

Gira = missa

Guias de conta = terço

Ponto = louvor/oração

Guias/entidades = orientador espiritual 

Entendido o conceito, imagine agora um local simples, sem firulas, sem grandes colunas. O agir da umbanda está em locais que o ser humano está simplesmente destruindo: 

Na natureza. O altar é uma floresta, a água de batismo está nos rios, cachoeiras e mar. Desses locais considerados sagrados para muitos umbandistas é que vem os campos de força usados pelos guias para atuarem em prol da caridade. Embora alguns irmãos de fé ainda não entenderam o conceito de respeito e sujam as moradas sagradas com parafinas de vela e oferendas que abandonam por esses locais. 

No cemitério: Eu ainda não tive essa experiência neste campo santo, mas acredito que deve ser um divisor de águas. Cemitério é considerado como local de renascimento. Neste caso, o meu entendimento disso é que ali morrem nossos achismos do que deve ser a vida de verdade: pergunta para quem morreou ali, de que valeu acumular bens em terra e não cuidar do caminhar espiritual, ou acumular desejos de cobiça, luxúria e inveja ao invés de acumular amor e caridade.

Nessa esfera, vem o pensamento: amor parado mata, paralisa, afoga. O amor está no movimento e o movimento muitas vezes se chama caridade. Mas é difícil fazer caridade com pessoas as quais gostariamos de dar uma bifa, certo? É justamente essa a lição. É fácil ser caridoso quando o copo está cheio, a mesa farta e a vida ganha. Ainda mais fácil ser caridoso com quem conhecemos e sob os holofotes para ganhar likes.

Difícil é agir no silêncio, sem ninguém ver, pois queremos ser notados realizando grandes feitos. O ego é uma bosta. Se fazemos algo legal sem ninguém ver, nos sentimos incríveis. Porém isso passa quando a necessidade de contar aos outros, não para dar exemplo, mas porque queremos que saibam que somos boas pessoas. Mas para que os outros precisam saber de nossas bocas que somos bons? Não basta que nossas ações silenciosas falem por nós?

Agora voltando ao sentido do "e se..." quando você chegar no seu fim de trilha e se deparar com esta encruzilhada do "e se eu fosse por este caminho, o que a vida me trará?" Eu te digo, a vida não lhe traz nada criatura, é você quem vai buscar. Ela apenas registra teus feitos enquanto encarnado para ver o que você descobriu que te fez chegar mais perto do degrau de evolução.

Vou compartilhar isso contigo: Quando conseguir algum pequeno entendimento, quando cair as fichas do que realmente vale a pena, sinta-se feliz por ter entendido. Há até mesmo espíritos que já estão do outro lado do caminho que nem nesse entendimento sublime chegaram.

Eu ainda não entendi nada... mas estou aí pelo menos buscando entender. Tem dias que dá angústia, tem dias que quero retroceder... mas para isso servem os banhos de ervas: para acalmar a mente, dar respiro e afastar o que não quer que você se interesse em caminhar. Por que é mais cômodo ficar sentado vendo a vida passar né non? Mas se pergunte: cômodo para quem???

Namastreta!